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Discussões



São muitas as dicussões a respeito da proposta de diminuição de jornada de trabalho para quem está empregado no regime celetista – o fim da chamada escala por 6 x 1.


Muito se discute, mas, a despeito dos entendimentos diversos, parecer ser consenso que, ao menos em uma situação, o debate se faz pertinente: o caso das mulheres que exercem a dupla jornada – a da vida profissional e a da vida de cuidados para com os filhos1.


Mas também não parece haver discussão que, no Brasil, a abrangência e os recursos destinados à educação infantil pública deixam muito a desejar2 – o que representa outra carga de responsabilidade a ser carreada àquelas mulheres. Menos aprendizado, menos desenvolvimento socioemocional, menos segurança advinda da certeza do cuidado e do bem-estar – e mais encargos, na mesmíssima proporção, às mulheres que, no raro sozinhas, precisam lidar com tudo e contra tudo para sustentar e educar uma ou mais crianças.


São despesas que, cedo ou tarde, toda a sociedade é chamada a pagar.

Fosse outro o cenário da educação infantil pública, fossem outras as condições de respeito e trabalho às equipes de ensino e fosse outra a extensão das ferramentas ofertadas às crianças, e talvez a cobrança pela redução de jornada não suscitasse tantas discussões – não pela desimportância do assunto, mas pela superação de ao menos uma de suas causas principais.





Thaís Cassapian




1 Valor Econômico, edição de 26.02.26, artigo de Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli Cardoso intitulado “Trabalhar menos custa caro”

2 Folha de S. Paulo, edição de 01.03.26, editorial intitulado “Descaso histórico com a educação infantil”

 
 
 

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