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AGRESSÕES

A Igreja Católica, na Campanha da Fraternidade deste ano, vai se dedicar ao combate à fome – e o Papa Francisco, como é de seu costume, foi enfático ao dizer que a fome é “criminosa”, além de um “escândalo’. Não são todos que pensam assim – e, na própria Igreja, há padres pregando

a, por assim dizer, não doação de nada, nem de alimentos, nem de trabalho, nem de recursos, porque o ato seria “esquerdista”[1].


Não parece que seja – integrantes das famílias Aguiar, Horn e Ometto aparecem entre os maiores doadores do Brasil[2], e não consta que Bradesco, Cyrela e Cosan sejam organizações contrárias ao capitalismo.


Doar é (ou deveria ser), acima de tudo, um ato de renunciar a algo a favor de alguém – e para que esse movimento se concretize é preciso haver solidariedade junto a quem se encontra em situação de maior fragilidade, porque, via de regra, não se doa a quem possui mais do que nós. Doar, portanto, não deveria de ser difícil, com tantas pessoas portadoras de tantas carências, morais e materiais, a bater à nossa porta diariamente – e dizer que esse exercício humanitário é pauta de partido político agride o nosso coração.


São, contudo, agressões pequenas – e que nem se comparam a outras tantas, das quais infelizmente temos sido testemunhas.


A grande violência física praticada contra a mulher, no Brasil, não é aquela observada junto às casadas ou às solteiras: é a praticada contra as separadas ou divorciadas, sendo o grande agressor o ex-companheiro. Como anota a pesquisadora Juliana Brandão, “o fato dela ser mãe” acentua ainda mais a gravidade do assunto[3].


Mães solo, as grandes vítimas das agressões praticadas por aqui.


Thais Cassapian Yeda Braz Forni

[1] Valor Econômico, edição de 24.02.23, artigo de César Felício intitulado “A fraternidade e o constrangimento”. [2] Valor Econômico, edição de 24.02.03, matéria intitulada “Doações somam mais de R$ 10 milhões”. [3] Folha de S. Paulo, edição de 03.03.23, matéria intitulada “Divorciadas sofrem mais agressões que casadas ou solteiras”.

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